Pré-Sal: O petróleo na costa marítima brasileira é de todos os brasileiros!

A mídia e políticos cariocas e capixabas fazem uma campanha hipócrita sobre o petróleo na costa marítima brasileira e a quebra de contratos. Afirmam-se Estados produtores por serem confrontantes com a produção do petróleo em alto mar, e que a nova proposta de lei quebra contratos. Acontece que o petróleo brasileiro é da união e a empresa Petrobrás é brasileira. Não existe Estado produtor em alto mar, e os contratos já licitados da união com a Petrobrás e demais empresas não terão o valor dos royalties alterados.

Nós brasileiros de todos os Estados federativos da nação temos que fazer justiça social e regional na distribuição dos royalties do petróleo brasileiro em alto mar. Assim como, uma ampla reforma tributária que democratize o pacto federativo brasileiro. No Brasil da atualidade, os Estados do sudeste concentram a maior parte dos aportes de recursos da união, e os cidadãos mais pobres pagam mais impostos que os mais ricos (vide estudos do IPEA).

Faço votos que a Presidente Dilma, Governadores, Senadores, Deputados, Prefeitos e Vereadores conclamem o povo brasileiro a ir às ruas na campanha: O petróleo na costa marítima brasileira é de todos os brasileiros!

A emenda dos parlamentares Ibsen Pinheiro/Pedro Simon corrigia a distorção da distribuição dos royalties do petróleo, mas com falhas quando exigia da união a compensação. A proposta de lei dos senadores Wellington Dias/Vital do Rêgo aprimora esta proposição, ainda assim beneficia os Estados RJ/ES e não vinculam os recursos às despesas.

Defendo que o projeto de lei 2565/2011 assegure para o petróleo na costa marítima brasileira (70% dos royalties para todos os Estados (35%-FPE) e municípios (35%-FPM) e 30% para a união). Já na plataforma terrestre (35% para Estados e municípios produtores, 30% para a união e 35% para demais Estados (17,5%-FPE) e municípios (17,5%-FPM). Além disso, deve haver uma regra de transição para os poços já licitados em até quatro anos.

Também, deve-se estabelecer a vinculação dos recursos dos royalties e do Fundo Social do Pré-Sal com despesas: em educação, pesquisa, ciência e tecnologia (no mínimo, 40%), defesa nacional, segurança pública, saúde, erradicação da miséria e pobreza (no mínimo, 30%), infra-estrutura, limpeza pública, saneamento básico, meio ambiente, cultura e esporte (até 30% para o conjunto dessas atividades).

Violência urbana, desigualdades e reforma constitucional

Segundo dados de pesquisas sobre a violência urbana, esta está mais associada à desigualdade social do que a pobreza. Ou seja, ser pobre não significa ser criminoso. Muitos países em extrema pobreza na África apresentam índices de violência menores do que o Brasil. Veja artigos relacionados abaixo.

É fato que os Programas Bolsa Família, de Aceleração do Crescimento e a Política de aumentos reais do salário mínimo, elevaram o PIB brasileiro, a renda média, o nível de quase pleno emprego, contribuindo para a diminuição das desigualdades sociais. No entanto, ainda estamos entre os primeiros dos rankings da desigualdade social e da violência urbana no mundo, daí a urgência da nação brasileira encontrar soluções para estas.

Vale refletir, o que motiva a violência urbana? Além da desigualdade social que outros fatores a fortalecem? Muitos dirão: o tráfico de drogas e armas; a impunidade; a corrupção; o clientelismo político; a lentidão e inoperância do judiciário; as desigualdades regionais estimulando a migração desordenada; a injustiça tributária que penaliza os mais pobres e direcionam recursos aos Estados mais ricos da nação; a falta de uma política abrangente de internação e tratamento dos drogados; a dificuldade de acesso a educação profissional; a má qualidade do ensino; os baixos salários dos professores e policiais induzindo estes à sobrecarga de trabalho; a má qualidade da habitação; a falta do lazer, esporte e cultura; etc.

Os motivos são inúmeros e do conhecimento geral da nação, mas os mecanismos para solução destes problemas implicam na Reforma do Estado. Entretanto, o parlamento brasileiro boicota continuamente as reformas necessárias: tributária, política, do judiciário. São muitos os interesses a serem contrariados das oligarquias estaduais. Daí a importância do povo ir às ruas e exigir uma reforma constitucional que amplie os direitos e deveres constitucionais da constituinte de 1988.

Veja artigos relacionados:

Violência: em 11 anos, 512.216 mortes intencionais no Brasil http://ultimainstancia.uol.com.br/conteudo/colunas/3111/colunas+ultimainstancia.shtml

A desigualdade, que gera delitos, não é ocasional http://ultimainstancia.uol.com.br/conteudo/colunas/3099/colunas+ultimainstancia.shtml

Primavera árabe ou Constituinte Já: por reformas política, tributária, do judiciário e segurança pública.

Apesar do Brasil ter experimentado grandes avanços sócio-econômicos pós-constituinte de 1988, como a estabilidade da moeda, geração de emprego e renda, e maior inclusão social. Nosso país jaz impunidade e persistente injustiça social. Somos acometidos de grave crise ética; do desconhecimento ou desrespeito a cidadania, aos direitos e deveres do cidadão; do desprezo aos valores humanos fundamentais.

São inúmeros os motivos para nossa crise dos valores humanos fundamentais: nossa colonização exploratória; o domínio institucional do país pela elite conservadora; a educação elitizada contrária a universalização da educação; a baixa qualidade do ensino público fundamental e básico, dada a falta de recursos e omissão na promoção do professor; a sabotagem aos avanços sociais por parte da elite oligárquica; etc. Por fim, a não participação popular na constituinte de 1988.

Diariamente depararmos com a impunidade, injustiça e violência social: corrupção, desvio de recursos públicos, o jeitinho brasileiro de sempre si dar bem mesmo que seja em desrespeito ao próximo, latrocínios, homicídios, assaltos, estupro, pedofilia, assédio moral, estelionato, exploração de menores, violência racial, contra mulheres, homossexuais, negros e índios, ( e o mais grave: políticos, gestores públicos e juízes corruptos e criminosos).

A lentidão e ineficiência da justiça absorvem os criminosos: 90% dos homicídios não são investigados e/ou julgados (se o criminoso fosse mantido preso até o julgamento, o processo seria mais célere); as penas quando aplicadas são brandas; a progressão de 1/6 e 1/3 da pena beneficia o criminoso; o juiz criminoso quando condenado é aposentado em vez de demitido; o político corrupto utiliza a imunidade parlamentar para não ser preso; o assassino motorizado imprudente e/ou alcoolizado é sempre absorvido; o pagamento de fiança no lugar da prisão beneficia o rico; o preso é proibido de trabalhar na prisão para custear o seu próprio sustento, o que penaliza a sociedade que cumpri exemplarmente as leis; o menor infrator (homicida, estuprador) não é devidamente punido; etc.

O Congresso Nacional não vota leis e reformas necessárias ao avanço da sociedade, os interesses oligárquicos das elites impedem este, e as desigualdades regionais e sociais aumentam. Vale citar, a dificuldade de distribuir a riqueza do pré-sal, do petróleo da união em alto mar, e  dificuldades de se fazer às reformas políticas e tributárias. Quando avançamos no Congresso e no Executivo, corremos o risco do STF, composto em sua maior parte pela elite conservadora do sudeste, impedir este avanço.

Entretanto, a continuar com a barbárie da falta de justiça social, a história nos ensina que o povo quando ignorado exerce com as próprias mãos o direito de se defender. Um excelente exemplo a seguir é a Primavera Árabe. Por lá, a elite conservadora que se apega ao poder por muito tempo tem sido tragada pela democracia direta do povo nas ruas. Daí um conselho aos políticos: precisamos de uma Constituinte Popular Já.

Primeiro discurso da presidente do Brasil Dilma Rousseff

Dilma Rousseff primeira presidente do Brasil

“Minhas amigas e meus amigos de todo o Brasil,

É imensa a minha alegria de estar aqui. Recebi hoje, de milhões de brasileiras e brasileiros, a missão mais importante de minha vida. Este fato, para além de minha pessoa, é uma demonstração do avanço democrático do nosso país: pela primeira vez uma mulher presidirá o Brasil.

Igualdade entre homens e mulheres

Já registro, portanto aqui meu primeiro compromisso após a eleição: honrar as mulheres brasileiras, para que este fato, até hoje inédito, se transforme num evento natural. E que ele possa se repetir e se ampliar nas empresas, nas instituições civis, nas entidades representativas de toda nossa sociedade.

A igualdade de oportunidades para homens e mulheres é um principio essencial da democracia. Gostaria muito que os pais e mães de meninas olhassem hoje nos olhos delas, e lhes dissessem: SIM, a mulher pode!

Minha alegria é ainda maior pelo fato de que a presença de uma mulher na presidência da República se dá pelo caminho sagrado do voto, da decisão democrática do eleitor, do exercício mais elevado da cidadania. Por isso, registro aqui outro compromisso com meu país:

continua: Leia na íntegra o discurso da nova presidente do Brasil

Comparativo de pesquisas do 2º turno 2006-2010

Às vésperas da eleição presidencial brasileira de 2010, cidadãos brasileiros decidirão sobre qual rumo o Brasil deve seguir: se deve dar continuidade ao projeto político do PT e, partidos coligados, focado no Estado provedor do bem estar social, no desenvolvimentismo, na estatização e nacionalismo, ou se deve substituir este pelo projeto político neoliberal do PSDB/DEMO/PPS vivido entre 1991 a 2002.

Diante destas escolhas, a sociedade brasileira se pergunta: quais as conseqüências de uma possível substituição do poder? Qual o melhor projeto político para o Brasil, levando em conta as grandes desigualdades sociais e regionais entre os Estados da federação, levando em conta a assimetria do Brasil no campo da educação, saúde, ciência e tecnologia, em relação aos países centrais?

Se compararmos os gráficos de pesquisa abaixo, de eleições presidenciais de 2010 e 2006, podemos observar diferença na abertura da boca do jacaré dos gráficos de pesquisas das eleições de 2010 e 2006. Faltando três dias para a eleição, Dilma está com uma média de 14 pontos percentuais a frente do Serra, enquanto em 2006, Lula estava cerca de 22 pontos percentuais a frente do Alckmin.

Média das Pesquisas 2º turno 2010 Sensus Datafolha Ibope Vox Populi

Pesquisa Datafolha Eleições 2006 28-10-2006

Governo aumenta participação na Petrobras; entenda a capitalização

Leia os artigos abaixo e comente os impactos sócio-econômicos e ecológicos da exploração de petróleo da camada do pré-sal:

Defesa do pré-sal é uma questão de soberaniaPetrobras agora é a 2ª maior petroleira do mundo, atrás da Exxon

Petróleo encalacrado no pré-sal Revista Piauí

Fabrícia Peixoto  De Brasília para a BBC Brasil
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse nesta sexta-feira que o processo de capitalização da Petrobras permitiu ao governo brasileiro ampliar sua participação na companhia de 40% para 48%.

Depois de meses de expectativa do mercado, a empresa realizou nesta quinta-feira o maior processo de capitalização já realizado no Brasil e um dos maiores do mundo, assegurando um montante de cerca de R$ 120,4 bilhões.

A operação de venda dos papéis colocou a companhia brasileira no 2º lugar entre as maiores petroleiras do mundo, atrás apenas da americana Exxon Mobil. A empresa estava em 4º lugar.

Os analistas de mercado que acompanham os papéis da Petrobras consideraram a capitalização um “sucesso”, com forte procura pelas ações, inclusive por investidores estrangeiros.

O resultado, segundo eles, mostrou que os investidores “têm grandes expectativas” sobre o futuro da companhia, apesar das incertezas quanto à exploração do petróleo em águas profundas.

A BBC Brasil preparou uma série de perguntas e respostas para ajudar você a entender o processo de capitalização.

O que é uma capitalização e para que serve?

A capitalização (ou aumento de capital) é um processo comum entre as companhias de capital aberto que por algum motivo precisam de mais recursos.

Uma alternativa à capitalização, por exemplo, seria o endividamento, buscando verbas do sistema bancário. Em alguns casos, no entanto, a empresa pode não achar conveniente aumentar seu nível de dívida.

No caso da capitalização, a empresa coloca novas ações à venda no mercado. O capital arrecadado com a venda desses papéis dá fôlego para novos investimentos.

Segundo o diretor da Faculdade de Administração da Faap, Tharcisio Santos, em geral a capitalização ocorre em um ambiente “favorável” aos negócios daquela companhia.

“Quando a empresa tem um projeto muito bom, com potencial de retorno elevado, a chance de arrecadar mais dinheiro na capitalização é maior”, diz.

Por que o governo decidiu capitalizar a Petrobras?

Uma das cinco maiores companhias petrolíferas de capital aberto do mundo, a Petrobras sempre teve projetos de investimentos significativos. Esses planos ganharam ainda mais força com a descoberta do pré-sal.

A necessidade de investimentos até 2014 é de US$ 220 bilhões, de acordo com estimativas da própria companhia.

Ao mesmo tempo, a empresa brasileira – que já vinha acelerando seus investimentos – está tendo de lidar com uma alta dívida, que chegou a R$ 118,4 bilhões em junho.

O valor equivale a 34% do patrimônio, o que está muito próximo do teto estipulado pela empresa, que é de 35%.

Sem poder se endividar mais, a empresa optou pela capitalização.

O que é a cessão onerosa?

Como principal acionista da Petrobras, o governo federal teria de desembolsar uma grande quantia de dinheiro para participar do aumento de capital da empresa, na proporção de sua participação acionária.

Em vez de lançar mão desse montante, o que seria inviável do ponto de vista fiscal, governo decidiu usar outro tipo de moeda: o petróleo da camada pré-sal, que pertence à União e ainda não explorado.

A ideia é que o governo ceda cinco bilhões de barris de petróleo à Petrobras, que em troca entregará ao governo títulos da dívida pública, por sua vez recebidos da União durante o processo de capitalização.

O resultado dessa operação é que o governo poderá manter (ou até ampliar) sua participação no capital da Petrobras sem gastar dinheiro ou títulos públicos.

Como foi feita a capitalização?

Diante da emissão de novas ações da Petrobras, tanto o governo como os acionistas minoritários puderam adquirir os papéis. Em tese, todos puderam manter a participação que tinham na companhia.

Os novos papéis foram oferecidos primeiro aos acionistas minoritários. Se eles adquirissem toda a parte colocada à sua disposição, poderiam continuar mantendo sua mesma participação na Petrobras.

O comparecimento dos investidores foi alto, segundo analistas de mercado. Estima-se ainda que 400 mil pessoas físicas tenham participado do processo de aumento de capital.

Por que a operação foi criticada?

Entre especialistas, há consenso de que a Petrobras não teria como realizar os investimentos previstos com seu próprio capital – mesmo porque, a empresa não teria esse dinheiro em caixa.

Com o endividamento no limite, muitos consideram a capitalização a única saída. O que tem sido motivo de críticas é a forma como o aumento de capital está sendo conduzido.

Uma delas diz respeito a uma interferência “excessiva” do governo em uma empresa que, apesar de ser controlada pela União, tem suas ações negociadas em bolsa – e portanto, precisa prestar contas ao mercado.

“Existe uma relação entre o governo e a empresa que, na minha opinião, não é saudável”, diz Amaral.

Outro ponto de polêmica é a definição do preço do barril para a cessão onerosa. Coube ao Presidente da República definir o valor do barril, sendo que o governo é um dos principais atores no processo de capitalização, o que para muitos analistas configura um conflito de interesse.

Por fim, especialistas ainda questionam a cessão de milhões de barris de petróleo que ainda não foram explorados. Um dos receios é de que os poços escolhidos pelo governo acabem revelando ter menos óleo do que o inicialmente estimado.

Por que as ações da Petrobras caíram tanto ao longo do ano?

Desde o início de 2010, as ações da Petrobras já caíram 20%, o que representa uma perda de quase US$ 50 bilhões no valor de mercado da companhia.

Mas com o processo de capitalização sendo confirmado, as ações voltam a mostrar sinais de recuperação.

De acordo com Weber Amaral, professor da Fundação Instituto de Administração (FIA), a desvalorização ao longo do ano está ligada a dois fatores.

Um deles é o vazamento de óleo da BP no Golfo do México, que despertou a desconfiança dos investidores sobre a segurança das explorações profundas – o que se aplica à camada pré-sal.

O segundo fator está ligado à capitalização. “Diante do adiamento da operação e de incertezas quanto ao preço do barril e outras questões ligadas à nova legislação, os investidores acabaram fugindo dos papéis da Petrobras”, diz Amaral.

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Sobre a Condição Humana. (Parte I)

Ao lermos o livro “A Condição Humana”[ii], de Hannah Arendt, a autora nos remete a reflexão sobre o homem contemporâneo, sua interação com a natureza, suas relações com o meio e seus semelhantes, seus avanços tecnológicos substituindo o próprio homem, etc. Daí o questionamento da nossa própria existência. Que tipo de homem surge nesta nova era? Que tipo de homem resistirá às pressões de um mundo sem trabalho, com novas atribuições? Estamos vivenciando um mundo em transformação para além da nossa compreensão?

Em seu livro, Hannah expressa deslumbre com o feito do homem de 1957, ao lançar um satélite artificial ao espaço que, por algumas semanas girou em volta da Terra segundo as leis de gravitação que governam o movimento dos corpos celestes, como o Sol, a Lua e as estrelas. Hannah se espanta com a expressão espontânea do comentarista de alivio ante o primeiro passo para libertar o homem de sua prisão a Terra que refletia, sem saber, as palavras gravadas há mais de vinte anos num obelisco fúnebre de um dos grandes cientistas da Rússia: A humanidade não permanecerá para sempre presa a Terra.

Para Hannah os homens não tardam a adaptar-se às descobertas da ciência, ao contrário, estão décadas à sua frente… A ciência apenas realizou aquilo que os homens haviam antecipado em seus sonhos. Entretanto, Hannah questiona o querer dos homens da libertação da própria Terra, sendo ela a quintessência da condição humana, de natureza singular, única capaz de oferecer aos seres humanos habitat no qual eles podem mover-se e respirar sem esforço ou artifício. Segundo Hannah, o artifício humano do mundo, busca separar a existência humana da natureza, contudo através da vida, o homem permanece ligado à mesma, talvez o desejo de fugir à condição humana esteja presente na esperança de prolongar a duração da vida humana para além do limite dos cem anos.

Hannah questiona: quem decidirá sobre o homem do futuro, que segundo os cientistas será produzido em menos de um século, e segundo Hannah, pode ensejar a troca da vida orgânica por vida artificial. Para ela, esta é uma questão política de primeira grandeza que não pode ser decidida por (cientistas nem políticos) profissionais. Ainda segundo a autora, se seguirmos o conselho de ajustar nossas atitudes culturais ao estado atual de realização científica, adotaríamos sem dúvida um modo de vida no qual o discurso não teria sentido.

Hannah afirma que, atualmente as ciências são forçadas a adotar uma linguagem de símbolos matemáticos que, embora originalmente destinada a abreviar afirmações enunciadas, contém agora afirmações que de modo algum podem ser convertidas em palavras. Daí, ser sensato desconfiar da avaliação política de cientistas enquanto cientistas, pelo fato de que habitam um mundo no qual as palavras perderam seu poder. E tudo o que os homens fazem, sabem ou experimentam só tem sentido na medida em que pode ser discutido.

Para Hannah, a chegada da automação desocupará fábricas e libertará a humanidade do seu fardo mais antigo e mais natural, o fardo do trabalho e da sujeição a necessidade. Entretanto, segundo a autora, a era moderna trouxe consigo a glorificação teórica do trabalho, e resultou na transformação efetiva de toda a sociedade em uma sociedade operária.

Hannah designa três condições fundamentais à vida ativa do homem: labor, trabalho e ação. Ela associa a condição humana do labor, a própria vida, o processo biológico do corpo humano. Para ela, a condição humana do trabalho é a mundanidade, pois este produz um mundo artificial de coisas diferente do ambiente natural. Já a ação, satisfaz a condição humana da pluralidade, pois segundo ela, é a única atividade que se exerce diretamente entre os homens sem a mediação das coisas ou da matéria.

Para Hannah, os homens são seres condicionados: tudo aquilo com qual eles entram em contato tornam-se imediatamente uma condição de sua existência. Ou seja, os homens criam suas próprias condições para sua existência, a despeito de possuírem as coisas da natureza com o mesmo fim.

Tendo o homem uma vida ativa e política na polis, com atividade centrada no trabalho, que fará ele sem a única atividade que lhe resta? Conseguirá ele ter uma vida mais contemplativa, adaptando-se a esta nova realidade? A reflexão sobre nossa existência passada, presente e futura, permite-nos pensar sobre nossas relações atuais e nossa conduta diária. O estudo sobre a condição humana não se encerra aqui, pretendo continuar com o tema.

[ii] Arendt, Hannah. A Condição Humana – 10º edição – Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2009.

Dilma Rousseff rumo à presidência da república. Qual leitura podemos fazer das pesquisas eleitorais?

Triste sina, a elite endinheirada brasileira vive na escuridão, ao não fazer uma leitura crítica das pesquisas eleitorais. – Burrice é permanecer no erro – diz o ditado popular.

Seria sensato se a Direita brasileira compreendesse os resultados das pesquisas eleitorais: Por que, nas últimas pesquisas, Dilma ampliou sua vantagem em relação ao Serra em quase todas as regiões do país, perdendo somente na região sul? Em relação à escolaridade e à renda familiar, por que Dilma, que levava vantagem nas faixas de escolaridade e de renda inferiores, agora ultrapassou Serra em todas as faixas? Vale lembrar, no século passado, os que tinham escolaridade e renda maiores influenciavam o voto dos menos abastados.

Alguns “intelectuais” praticam reducionismo sociológico ao não compreender e apenas responder: – Dilma leva vantagem entre os miseráveis e recebedores do programa Bolsa Família. Mas esta resposta não muda o voto. Dilma ao receber os votos dos desiguais, compreende a realidade destes e representa-os, daí uma grande responsabilidade: – mitigar as desigualdades regionais e sociais.

O crescimento da candidatura da Dilma Rousseff nas pesquisas eleitorais para presidência da república confirma uma tendência difícil de reverter, face ao erro estratégico da campanha de José Serra, dos neoliberais e direitistas do PSDB/DEMO/PPS, que utilizam ofensas pessoais e não projetos de governo.

Os direitistas, com visão obtusa da realidade do Brasil e do mundo, teimam em não enxergar os fatores que suportam a candidatura Dilma: a alta aprovação popular do governo do presidente Lula; o maior conhecimento da população de que a Dilma é sua candidata; a bem estruturada campanha a presidência da Dilma Rousseff, fundamentada em projetos desenvolvimentistas de governo; a continuidade da política econômica; e a continuidade das políticas públicas voltadas à melhor distribuição da renda e maior equidade social.

Veja mais nas reportagens abaixo:

Dilma bate Serra no primeiro turno, indica Datafolha

Pesquisa Sensus aponta Dilma 18 pontos à frente de Serra

Diferença de Dilma sobre Serra sobe para 10 pontos porcentuais, aponta CNT/Sensus – politica – Estadao.com.br.

Ibope indica Dilma com 39% e Serra com 34% das intenções de voto – politica – Estadao.com.br.

Vox Populi dá 8 pontos de vantagem a Dilma sobre Serra – brasil – Estadao.com.br.

Para Sensus e CNT, queda de Serra se deve às críticas contra Lula e Dilma – politica – Estadao.com.br.

Márcia Denser: truculência de Serra é o maior aliado de Dilma – Portal Vermelho.

CNT/Sensus: Serra só vence Dilma na região Sul; no NE, petista está 37 pontos à frente – politica – Estadao.com.br.

Os Royalties e a Reforma Tributária: esta será possível no próximo governo?

A crise federativa da distribuição dos royalties do petróleo e gás extraídos na costa marítima brasileira é uma oportunidade para o debate da reforma tributária. A emenda vencedora na Câmara e no Senado de Ibsen/Simon serve como elemento catalisador para uma solução federativa de reforma e equalização tributária.

A criação do IVA estadual, unificado e de cobrança no destino, tem sido inviabilizada por Estados beneficiados com a concentração da industrialização brasileira. Faz-se imperativo a criação do IVA Federal e Estadual, unificando a cobrança de vários impostos, pois estes trarão modernidade e justiça social. Quem sabe a saída para este impasse seja o rateio deste imposto entre Estados produtores e consumidores, e ainda, a criação de dois Fundos (um para Compensar Estados por Perdas de Arrecadação, outro para o Desenvolvimento Regional e Mitigação das Desigualdades Sociais).

Outra solução para este imbróglio seria a re-apresentação do projeto de Renda Cidadã para todos os brasileiros do senador Eduardo Suplicy. No Estado do Alasca, todo Cidadão que lá reside recebe uma Renda referente à exploração do petróleo e gás em seu território ou mar territorial, independente de residir perto ou longe do poço de extração. Daí, evitaríamos que os políticos corruptos utilizassem estes recursos em beneficio próprio. Já o cidadão comum, com mais renda disponível, iria demandar e consumir mais, estimulando assim a economia do país, gerando mais investimentos, empregos e renda.

Veja artigo abaixo:

Disputa política atrasa debate sobre tributação – economia – Estadao.com.br.

O Trem Bala ligando o RJ – SP orçado em R$ 33,1 bilhões é uma obra faraônica?

“Cálculos feitos pelo Instituto de Logística e Supply Chain (Ilos) mostram que o investimento do trem-bala daria para construir 300 km de metrôs em São Paulo, o suficiente para transportar 15 milhões de pessoas por dia. O valor também daria para construir 11 mil km de ferrovias comuns, para carga ou passageiros.”*

Vale fazer-nos algumas indagações: Os recursos financeiros a serem aportados neste empreendimento poderiam ser utilizados em outro empreendimento de maior relevância social? Quais são as nossas prioridades enquanto nação para todos os brasileiros? Qual o custo-benefício desta obra? Por que não construir uma rede de ferrovias para passageiros e cargas em todo Brasil? Ou por que não construir 300 km de metrô nas principais capitais? Penso que o Brasil precisa eleger melhor as prioridades nacionais a fim de atender o conjunto da nação.

*Vide artigo de RENÉE PEREIRA, Agência Estado: Trem-bala pagaria 300 quilômetros de metrô.

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