Economia & Política

por Juvenal Melvino, professor e pesquisador, grupo GASEA, UNEMAT

BC na contra-mão do PAC

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A recente decisão do Banco Central de reduzir a taxa SELIC em 0.25%, de 13.25 para 13.00% a.a. foi uma decisão conservadora, na contra-mão do anúncio do PAC? Chegaremos a conclusão que sim, se observarmos alguns indicadores macroeconômicos: a taxa anualizada do IPCA–15, de janeiro de 2007, é de aproximadamente 3.00% a.a., bem abaixo da meta de inflação para 2007, de 4.50% a.a.; o real forte motivou os brasileiros a gastarem no exterior US$ 5,764 bilhões em 2006, o maior valor da série do Banco Central, iniciada em 1947, ou seja, a taxa de juros alta alimenta o real forte; em relação a um possível desencontro entre oferta e demanda pressionar a taxa de inflação de 2007, a indústria brasileira trabalha hoje com cerca de 80% de sua capacidade; o FMI projeta uma expansão da economia mundial em 5.00%; existe abundância de recursos internacionais procurando bons projetos de investimentos; nossas reservas internacionais batem o recorde de 90 bilhões de dólares; etc.

 Decepção geral: É o BC um órgão do governo? Até que ponto sua independência pode viabilizar ou inviabilizar um projeto de nação? O BC vetou o PAC? A decisão do Banco Central foi uma decisão ideológica? “Para Luiz Gonzaga Belluzzo, professor titular de Economia da Unicamp, o Banco Central decidiu restabelecer sua hegemonia, e vetou o PAC. Segundo ele, o Banco Central tem uma ideologia – anti-Governo e pró-banqueiros. Citando a expressão de Delfim Netto, “a economia tem derrotado a urna” – ou seja, o Banco Central não toma conhecimento do resultado das urnas. Em resumo, o BC disse ontem aos empresários: se vocês achavam que está na hora de investir, aguardem mais um pouco.” (entrevista a Paulo Henrique Amorim).

 ”Para o economista Paulo Nogueira Batista, o PAC reflete uma nova concepção em que o Estado volta a ter um papel mais ativo na promoção do desenvolvimento. Ele considera o programa abrangente, complexo e composto de medidas variadas, o investimento privado deve responder positivamente às medidas do programa, e aponta os problemas a serem superados: apesar da desoneração, a carga tributária brasileira continuará alta demais, afetando negativamente o investimento privado e o crescimento econômico. A combinação juros-câmbio continua bastante hostil à aceleração do crescimento.” (Blog do Zé Dirceu)

Para Franklin Martins: “A decisão do Conselho de Política Monetária do Banco Central de reduzir a taxa Selic em apenas 0,25 ponto percentual foi uma ducha de água fria no governo. Afinal, nas cinco reuniões anteriores, o corte vinha sendo de meio ponto – e antes delas, o ritmo de queda nos juros era ainda mais intenso. Dessa forma, o BC bateu de frente com tudo o que o governo está querendo passar, no momento, para a sociedade. Fez questão de pisar no freio apenas dois dias depois do lançamento do PAC, um plano de aceleração do crescimento.”

Para Luis Nassif: “O PAC conseguiu dois feitos há muito aguardados por todos aqueles que sonham com o país crescendo. O primeiro, foi colocar os investimentos em infra-estrutura no centro do debate. O segundo foi colocar o superávit nominal (o que inclui os juros da dívida pública na roda). Até agora, os Castellar, Giambiagi e Vellosos da vida tinham uma missão mansa. Como só analisavam superávit primário, deixavam de lado a análise sobre os juros e a política monetária do Banco Central. Com o superávit nominal entrando na berlinda, a política monetária será cobrada a dar sua contribuição ao sucesso do PAC. É pouco para compensar o que se perdeu nesses 15 anos de estagnação. Pelo menos rompe com a inércia desses anos.”

Escrito por Juvenal Melvino

25/01/2007 às 22:37

Publicado em Economia, Política

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