Ladeira abaixo
Por Luis Nassif: “Ontem, os gênios do Banco Central conseguiram derrubar o dólar para menos de R$ 2,10 na ponte de venda, nível mais baixo desde maio do ano passado. A queda é resultado direto da redução no ritmo de queda da taxa Selic. Foi como se o BC abrisse a porteira e mandasse a manada dos dólares entrar, porque haverá garantia de ganhos estrondosos com a renda fixa nos próximos meses. E essa queda irá continua. Com essa maluquice dos juros, o país paga duas contas. A primeira, a conta da dívida pública. 0,25 ponto da taxa Selic equivale a R$ 11 bi por ano – todo o programa da Bolsa Família. A segunda é a compra de dólares para aumentar as reservas, que implica em um enorme custo fiscal, decorrente justamente da diferença entre o custo da dívida pública e o custo de aplicação das reservas. Compra inútil, porque a queda continua. Caso o Banco Central tivesse reduzido a taxa Selic em 0,75 ponto percentual, em vez do 0,25, a economia anual do país seria de R$ 22 bi, duas Bolsas Família, metade de todo o déficit que atribuem à Previdência Social. Sem contar os ganhos que haveria com o crescimento do PIB, e com a desvalorização do câmbio. Esse custo não costuma ser lembrado pelos que gostam de jogar a conta para aposentados”.
Comentário: A análise do economista Luis Nassif é procedente e provocante. Como crescer 5% ao ano, nos próximos quatro anos? Se o BC joga no outro time? Se mantivermos essa política de juros, não condizente com a conjuntura atual? A continuar com essa relação câmbio-juros, o PAC corre orisco de virar uma mera carta de intenções. Precisamos urgentemente rever nossa política monetária, ajustando-a para o cenário atual, para as necessidades que a sociedade nos impõe. No bojo da reforma ministerial, a mudança no comando do BC será bem vinda.